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  A psicologia (derivada de palavras gregas que significam “estudo da mente ou da alma”) é hoje em dia comumente definida como a ciência que estuda o comportamento e os processos mentais. Os assuntos investigados pelos psicólogos incluem todos os que se acham listados no índice e mais alguns: o desenvolvimento, as bases fisiológicas do comportamento, a aprendizagem, a percepção, a consciência, a memória, o pensamento, a linguagem, a motivação, a emoção, a inteligência, a personalidade, o ajustamento, o comportamento anormal, o tratamento do comportamento anormal, o as influências sociais e o comportamento social. A psicologia é freqüentemente aplicada na indústria, na educação, na engenharia, em assuntos de consumo e em muitas outras áreas.

Notem que os psicólogos estudam tanto assuntos biológicos como sociais. Ao contrário dos biólogos, os psicofisiologistas ou psicobiólogos focalizam a atenção nas relações entre o comportamento e o funcionamento mental de um lado e a biologia do outro. Enquanto os sociólogos dirigem a atenção para os grupos, os processos grupais e as forças sociais, os psicólogos sociais concentram-se nas influências grupais e sociais, sobre os indivíduos.

                  (Davidoff, Linda L. Introdução à Psicologia. São Paulo : McGraw-Hill do Brasil, 1983, p. 2).

Muitas vezes usamos o que poderíamos chamar a psicologia do senso comum em nossa vida cotidiana. É o famoso palpite. É o “eu acho”.

No teste abaixo você pode verificar como anda de “psicologia do senso comum”, marcando V, para verdadeiro e F, para falso:

1.    O amor do bebê pela mãe baseia-se na satisfação das necessidades físicas, especialmente da fome.

2.    Os seres humanos  têm apenas cinco sentidos: visão, audição, tato, paladar e olfato.

3.    Os bebês ao nascerem são cegos.

4.    Todo ser humano normal sonha.

5.    Ir dormir após aprender resulta, com mais probabilidade, em melhor retenção do que iniciar outra atividade logo após  aprendizagem.

6.    Quanto mais uma pessoa memorizar decorando (mecanicamente, por repetição) melhor será o seu desempenho em memorização.

7.    Quanto mais motivadas as pessoas, melhor seu desempenho na solução de problemas complexos.

8.    Os seres humanos são os únicos animais que têm capacidade de utilizar a linguagem.

9.    Os indivíduos muito inteligentes são quase sempre muito criativos.

10.   Como grupo, as mulheres são sistematicamente mais românticas do que os homens.

 

(Respostas: F – F – F – V – V – F – F – F – F – F).

(idem, p.3).

Devemos ter em conta  que a psicologia não é um corpo de conhecimento nem unificado, nem completo. É uma ciência em formação e pelo seu objeto de estudo, o homem, abrange um campo de saber praticamente ilimitado.

TEORIAS DA PERSONALIDADE.

O termo personalidade e o conceito nele embutido têm significações variadas, sendo difícil uma conceituação que satisfaça. Existem mais de 50 definições para este termo (Allport, 1937).

Para a psicologia, a personalidade deve ser entendida como um conjunto de valores  e termos usados para caracterizar o indivíduo estudado através da ótica de uma determinada teoria.

Bom, e o que é uma teoria? Bem, uma teoria é algo que existe em oposição a um fato. É uma especulação, ainda não confirmada, portanto. Quando se tornar confirmada, deixa de ser teoria e passa a ser um fato.

Existem inúmeros teóricos da personalidade.

Aqui indicaremos seus nomes, e uma indicação de dos itens básicos que sustentam suas teorias.

Se o internauta se interessar pelo assunto, Teorias da Personalidade, pode consultar as obras Teorias da Personalidade de Hall-Lindzey, Editora E.P.U. e Teorias da Personalidade, de Hall-Lindzey-Campbell, Editora ARTMED.

 

FREUD, Sigmund.

A teoria de Freud, também chamada Teoria Psicanalítica de Freud, está baseada nos conceitos de Consciente (situado na periferia do aparelho psíquico, recebendo ao mesmo tempo as influências do meio externo e do meio interno), Pré-Consciente (estaria “situado” entre o consciente e o inconsciente. Os conteúdos do Pré-Consciente permanecem acessíveis ao consciente), e Inconsciente (é constituído por conteúdos recalcados, e que não podem ser acessados pelo sistema consciente-pré-consciente) - (1ª Tópica) e Id (ou “isso” é uma das  três instâncias do aparelho psíquico. É onde se encontram as pulsões da personalidade. Pulsão aqui é o termo que indica no homem o equivalente ao instinto nos animais. Inclusive muitos autores, utilizando a tradução inglesa, adotam o termo instinto, o que não é correto. Freud usou, em alemão, o termo Trieb, que significa pulsão e não Instinkt, que significa instinto), Ego (significa “eu”. Em alemão é traduzido pelo pronome pessoal “Eu”) e Superego (é o censor e juiz do Ego. É formado através das exigências parentais. Diz para o Ego o que está certo e o que está errado. O que pode e o que não pode ser feito. Todo o nosso senso moral está no Superego ou Super Eu (Über-Ich, em alemão) - (2ª Tópica).

Os termos e conceitos acima expostos devem ser analisados, na Teoria de Freud, tanto como substantivos, como adjetivos.

Os problemas psíquicos ou psicológicos apresentados pelo indivíduo se relacionam com os conflitos surgidos no relacionamento entre estas instâncias.

O Id, através das pulsões, quer satisfação “a todo custo”. E só o consegue através do Ego. Este sofre as restrições impostas pelo Superego, e as dificuldades inerentes ao meio externo. Nesta luta, o Ego tem que atender “a três senhores”, ao Id, ao Superego e ao meio externo.

Nessa luta, muitas vezes sucumbe, dando origem aos processos neuróticos que são os conflitos entre o Ego e o meio externo ou psicóticos, conflitos entre o Ego e o Id.

 

JUNG, Carl Gustav.

Para Jung,  personalidade total ou psique, compõe-se de vários sistemas isolados, mas que atuam uns sobre os outros. Os principais sistemas são:

 

1.    O ego, ou a mente consciente, que é constituída por percepções, memórias, pensamentos e sentimentos. Através dele, temos nosso sentimento de identidade.

2.    O inconsciente individual é uma “região” próxima ao ego, e de certa maneira corresponde ao pré-consciente de Freud. O material do inconsciente individual pode ser trazido à consciência, havendo muitas permutas entre o inconsciente individual e o ego.

3.    O inconsciente coletivo ou transpessoal que prece ser o depósito de traços da memória ancestral do homem, incluindo aí seus ancestrais pré-humanos e animais. É por, assim dizer, o resíduo psíquico da evolução do homem. Um resíduo que se acumulou través de experiências repetidas através das gerações.

4.    A persona é  a mascara que o indivíduo usa em sus relações sociais. A máscara não representa o indivíduo. Mas aquilo que a sociedade espera dele e/ou aquilo que ele quer que a sociedade veja nele, pense que ele é. É a personalidade pública, em oposição à personalidade privada, que existe por trás da fachada social.

5.    A anima e o animus. Dentro do reconhecimento generalizado que o homem é um animal bissexual, a anima representa  o arquétipo feminino do homem (o lado feminino do homem) e o animus representa o arquétipo masculino da mulher (o lado masculino da mulher).

6.    A sombra. É o arquétipo formado pelos instintos animais que o homem herdou em sua evolução a partir das formas mais primitivas de vida. Seria o lado “ruim”, “pecaminoso” do homem.

7.    O self. É o ponto central da personalidade. É o alvo da vida, pelo qual as pessoas lutam. Buscando a realização total da personalidade. Segundo Jung, exemplos de seres que conseguiram essa realização são Jesus e Buda.

8.    As atitudes. De extroversão, de introversão.

9.    As funções. De pensamento, sentimento, sensação e intuição.

10.  Criou ainda os conceitos de energia psíquica, princípio de equivalência e princípio de entropia. Causalidade (que explica nosso presente pelo passado) versus teleologia (a personalidade deve ser compreendida em termos de seu destino e não de sua origem) e sincronicidade. Atribui papel importante à hereditariedade, à progressão e regressão e ao processo de individuação, através das funções transcendentes.

Como se pode notar, é uma teoria muito rica abrangendo um grande número de conceitos.

 

GEORGE KLEIN – Combinou uma educação tradicional em psicologia com a psicanálise, demonstrando que as hipóteses derivadas do trabalho clínico podem ser investigadas em laboratórios. Depois forneceu aos psicólogos interessados em psicanálise uma oportunidade para a pesquisa.  Ajudou a diminuir as hostilidades entre psicólogos e psicanalistas. E ajudou a transformação da psicanálise em algo mais aceitável para os psicólogos.

O seja, Klein ajudou na fusão da psicologia com a psicanálise.

(Aqui cabe um esclarecimento sobre os profissionais chamados psiquiatras, psicólogos e psicanalistas.

Muitas pessoas fazem confusão com estes profissionais, no que diz respeito às suas profissões.

A psiquiatria é uma atividade inerente a médicos. Somente a eles. Os psicólogos são profissionais que cursaram uma faculdade de psicologia, podendo ser clínicos (tratamento de distúrbios da personalidade) ou não clínicos, ou seja, educadores, pesquisadores, trabalharem junto a departamentos de trânsito, junto ao judiciário, junto a comunidades, nos presídios, etc.

A psicanálise é uma atividade exercida por aqueles que trabalham clinicamente aplicando a teoria psicanalítica de Freud. Podem ser médicos ou psicólogos. Existe uma linha da psicanálise a chamada Linha Lacaniana, que dispensa estas formações. Neste caso o psicanalista, pode ter qualquer formação universitária. Ou, teoricamente, nenhuma formação.

A psicanálise não é reconhecida, em si como profissão. Não existe Faculdade de Psicanálise. Não existe registrada, regulamentada a profissão de psicanalista. Não existem os conselhos regionais de psicanálise, como existem os conselhos para engenheiros e arquitetos, os CREAs, ou os CRMs, para os médicos,  ou CRPs (Conselhos Regionais de Psicologia), para os psicólogos).

ERIK H. ERICKSON – Adaptou a psicanálise aos novos tempos, dando a ela novo sopro de vida. Suas principais contribuições são:

1.    Teoria psicossocial do desenvolvimento – da qual emerge suas concepções ampliadas no ego. O desenvolvimento humano do nascimento à morte, é determinado por interações sociais. O indivíduo agindo sobre o meio, modificando-o, e vive-versa.

Esse desenvolvimento se dá para estágios: 8 estágios ao todo:

1º Estágio – Confiança básica x desconfiança básica.

2º Estágio – Autonomia x vergonha e dúvida.

3º Estágio – Iniciativa x culpa.

4º Estágio – Indústria (destreza ou habilidade) x inferioridade.

5º Estágio – Identidade x confusão de identidade.

6º Estágio – Intimidade x isolamento.

7º Estágio – Produtividade x estagnação.

8º Estágio – Integridade x desesperança.

 

A nova concepção do ego. (para Freud o ego é um executivo da personalidade, tentando servir a três senhores ao mesmo tempo: ao id, ao superego e ao mundo exterior). Erikson atribuiu ao ego valores tais como confiança, esperança, autonomia, vontade, habilidade, competência, identidade, fidelidade, intimidade, amor, produtividade, consideração e integridade. Conceitos estes totalmente estranhos à teoria psicanalítica de Freud.

2.    Estudos psico-históricos – em que amplia sua teoria psicossocial à  vida dos homens famosos.

HARRY STACK SULLIVAN – Para ele, a personalidade é uma entidade puramente hipotética, que não pode ser observada ou estudada à parte de situações interpessoais. A unidade de estudo é a situação interpessoal e não a pessoa. A organização da personalidade constitui-se de ocorrências interpessoais, e não intrapsíquicas.  A personalidade só se manifesta quando a pessoa se comporta em relação a um ou mais indivíduos. Esses indivíduos não precisam estr presentes. Podem até ser figuras inexistentes ou produto da imaginação. Uma pessoa pode manter relações com um herói do povo, como Paul Bunyan, ou com uma figura fictícia como Ana Karenina, ou com seus ancestrais ou seus descendentes ainda por nascer (Hall-Lidzey, 1984).

Estabeleceu que o desenvolvimento se dá em 6 estágios:

        Primeira infância.

        Infância propriamente dita.

        Meninice.

        Pré-adolescência.

        Adolescência inicial.

        Adolescência posterior.

 

 

ALFRED ADLER – Sustenta que o homem é motivado fundamentalmente por solicitações sociais. O homem, para ele, é um ser social, inerente por excelência, contrariando a afirmação de Freud de que o homem age por força das pulsões.

Como contribuições principais, temos os conceitos:

Finalismo de ficção. Segundo Adler, o homem vive com muitas idéias que são pura ficção, tais como, “todos os homens são criados iguais”, “a honestidade é a melhor política”, “o fim justifica os meios”, etc. Ele acha que o homem pode transcender destas idéias.

Luta pela superioridade. Acreditava que  a agressividade era mais importante que a sexualidade (Freud) na luta pela sobrevivência e adaptação, entendendo-se aqui superioridade como sendo um esforço no sentido de completar-se. É um grande impulso para cima.

Sentimento de inferioridade e compensação. Para Adler, todo ser nasce com sentimento de inferioridade. E esse sentimento o impulsiona à superação, a um nível mais alto de realização.

Interesse social. Ao final de sua obra, Adler conclui que o homem só se realiza, só se completa, só alcança sua felicidade, através da atividade social.

Estilo de vida. Nos cinco primeiros anos de vida a ser forma um conjunto de características que o distinguirá pelo resto da vida. O seu estilo de vida.

O self criador. Este novo conceito que Adler introduziu no estudo da personalidade, se confunde com o estilo de vida. O self criador é o motor da vida. Reina sobre a estrutura da personalidade. Assemelha-se ao velho conceito de alma.

Ordem de nascimento. Para Adler a ordem de nascimento afeta de maneira determinante a formação da personalidade.

 

ERICH FROMM – Delineou as experiências  exclusivamente humanas:

-      Sentimentos de afeição, amor e compaixão.

-      Atitudes de interesse, responsabilidade, identidade e integridade. Vulnerabilidade, transcendência e liberdade.

-      Valores e normas.

E relacionou as necessidades humanas:

-      De relacionamento (disposição para o afeto).

-      De transcendência (superar sua natureza animal).

-      De segurança (quer ser parte integrante do mundo).

-      De identidade (procura se identificar com pessoas ou grupos).

-      De orientação (um modo estável de perceber e compreender o mundo).

 

 

KAREN HORNEY – O conceito fundamental dessa cientista da mente, é o de necessidade básica, assim definida: “... o sentimento que a criança tem, de estar isolada e desamparada em um mundo potencialmente hostil. Uma ampla cadeia de fatores adversos no meio pode produzir esta insegurança na criança: dominação direta ou indireta, indiferença, comportamento irregular, desrespeito às necessidades da criança, ausência de orientação, atitudes de desprezo, excesso ou ausência de admiração, falta de calor seguro, ter de tomar partido nos desentendimentos entre os pais, muita ou nenhuma responsabilidade, superproteção, isolamento de outras crianças, injustiça, discriminação, promessas dos adultos não cumpridas, atmosfera hostil, e assim por diante”. (Hall-Lindzey, 1984).

Segundo ela, o ser humano, em conseqüência disso, do esforço para encontrar solução para os seus problemas, desenvolve necessidades neuróticas, que ela listou em dez necessidades:

1.    Necessidade neurótica de afeto e aprovação.

2.    Necessidade neurótica de um “parceiro” do qual possa depender.

3.    Necessidade neurótica de restringir a vida a círculos estreitos.

4.    Necessidade neurótica de poder.

5.    Necessidade neurótica de explorar os outros.

6.    Necessidade neurótica de prestígio.

7.    Necessidade neurótica de admiração pessoal.

8.    Ambição neurótica de realização pessoal.

9.    Necessidade neurótica de auto-suficiência e independência.

10.  Necessidade neurótica de perfeição.

 

 

KURT LEWIN

E A SUA TEORIA DE CAMPO.

 

O comportamento é uma função do campo que existe no momento em que ocorre o comportamento.

A análise  começa com a situação como um todo, a partir do qual as partes componentes são diferenciadas.

A pessoa concreta, em uma situação concreta pode ser representada matematicamente.

Lewin também enfatizou forças subjacentes (NECESSIDADES) como determinantes do comportamento, e expressou uma preferência por descrições psicológicas, não físicas ou fisiológicas, de campo.

Um CAMPO é definido como a totalidade de fatos coexistentes que são concebidos como mutuamente interdependentes.

 

 

A ESTRUTURA DA PERSONALIDADE.

 

 

A pessoa pode ser representada separada do resto do Universo por uma figura fechada (UM CIRCULO) – Tudo que está dentro da figura fechada, das fronteiras,  do circulo é P (a pessoa); tudo que está fora destas fronteiras é não-P.

Em seguida, desenha-se uma figura maior, exterior ao circulo, que não pode tocar o circulo.

A região entre os dois perímetros é o ambiente psicológico, A.  A área total dentro da elipse, incluindo o círculo é o “espaço de vida”, V.

Então  A + P = V. (Que é o universo do psicólogo, possui tudo, possui a totalidade dos fatos possíveis capazes de determinar o comportamento de um indivíduo. Possui tudo que precisa ser conhecido para se compreender o comportamento concreto de determinado ser humano em um ambiente psicológico específico, em dado momento.

A, o espaço da elipse, não incluindo P, o círculo, representa os aspectos não-psicológicos ou região de mundo físico, onde também existem fatos sociais.

O comportamento é uma função do espaço de vida, C = f(V) – A tarefa da psicologia dinâmica é derivar inequivocamente o comportamento de determinado individuo da totalidade dos fatos psicológicos que existem no espaço de vida em um dado momento.

Os fatos que existem na região externa e adjacente à fronteira do espaço de vida, uma região que Lewin chama de “o invólucro exterior do espaço de vida”, podem influenciar materialmente o ambiente psicológico. Isto é, os fatos não-psicológidos podem alterar e realmente alteram os fatos psicológicos.

Os fatos psicológicos  também podem produzir mudanças no mundo físico. Assim dizemos que a fronteira entre o espaço de vida e o mundo externo tem a propriedade de permeabilidade. O que é de extrema importância. Existe uma comunicação bidirecional entre as duas esferas. O espaço de vida e o mundo exterior.

Para Kurt Lewin o que importa para o Psicólogo, é explicar o que está ocorrendo no momento, pela teoria de campo, e não tentar predizer o que vai acontecer. Qualquer coisa não-psicológica pode mudar o comportamento.

A pessoa está cercada pelo ambiente psicológico, mas não faz parte dele nem está incluída nele. Assim, P = f(A) e A = f(P).

(P +A = Espaço de Vida, V)

 

 

Diferenciação.

 

Lewin afirmava que a estrutura da pessoa é heterogênea, não homogênea, que ela está subdividida em partes deparadas, mas intercomunicantes.

 A parte externa representa a região perceptual-motora P-M. E a parte central a região intrapessoal.

O segundo passo é dividir a região intrapessoal em células. As células adjacentes à região perceptual-motora são chamadas de células periféricas, p; as que estão no centro do círculo são as chamadas centrais, c.

Um ambiente homogêneo ou indiferenciado é aquele em que todos os fatos são igualmente influentes sobre a pessoa. Nesse ambiente, a pessoa teria perfeita liberdade de movimentos, uma vez que não haveria nenhuma barreira para impedi-la. Essa completa liberdade de movimento obviamente não representa o verdadeiro  estado de coisas. Portanto é necessário dividir o ambiente em regiões parciais.

Qualquer coisa inferida ou sentida  é um fato aos olhos de Lewin. Um evento,  por outro lado, é o resultado da interação de vários fatos. Uma cadeira e uma pessoa são fatos. Mas uma pessoa sentando-se numa cadeira é um evento. Dizemos que duas regiões está conectadas quando um fato de uma região está em comunicação com um fato em outra região.

Dimensão proximidade-distância (maior proximidade, maior influência) é o fenômeno de influência entre regiões.

Dimensão firmeza-fragilidade (maior firmeza, menor influência) é o fenômeno segundo o qual uma região não influência outra, ou a influência é pequena.

Lewin distinguiu várias propriedades do meio, a mais importante das quais é a dimensão de fluidez-rigidez. Um meio fluido é aquele que responde rapidamente a qualquer influência agindo sobre ele. É flexível e maleável. Um meio rígido resiste à mudança. É  duro e ineslático.  Duas regiões que estão separadas  uma da outra por uma região cuja qualidade de superfície é extremamente rígida não poderão comunicar-se. É semelhante a uma pessoa tentando cruzar um pântano ou atravessar uma mata cerrada.

Devemos lembrar que esses desenhos representam situações momentâneas. Não existe nada de fico ou estático neles, que mudam constantemente em resultado de forças dinâmicas. Não podemos caracterizar uma pessoa como sendo de uma determinada maneira por um longo período de tempo. Uma fronteira frágil pode enrijecer-se.  Uma fronteira firme pode dissolver-se subitamente. Mesmo o número  de regiões pode aumentar ou diminuir de momento à momento. Conseqüentemente, as representações espaciais estão tornando-se obsoletas, porque a realidade psicológica está sempre mudando. Lewin não interessava muito por  processos fixos, hábitos rígidos ou outras constantes da personalidade. Os conceitos desse tipo são característicos do pensamento aristotélico que Lewin deplorava.

O número de regiões é dado pelo número de fatos psicológicos separados que existem em um dado momento do tempo.

Os principais fatos da região intrapessoal são chamados de necessidades (cada necessidade ocupa uma célula separada na região intrapessoal – p. ex.: fome, terminar um trabalho), enquanto os fatos do ambiente psicológico são chamados de valências (ocupa uma região separada no ambiente psicológico – p.ex.: jogar bola, jogar tênis, estudar).

-        Locomoção.

-        Energia.

-        Tensão.

-        Necessidade.

-        Tensão e Ação Motora.

-        Valência.

-        Força  ou Vetor.

 

 

FREDERICK "FRITZ" PERLS

GESTALT.

Sofreu influência filosófica da fenomenologia e de Merleau Ponty. De Kurt Lewin e Kurt Goldstein. Da Psicanálise e do Zen Budismo.

Baseada na Teoria da Percepção (Leis da Percepção).

Holismo – Visão do homem como um todo.

Ênfase maior no presente, no aqui e agora.

Conceito de figura e fundo.

Mecanismos neuróticos.

Ênfase maior na descrição de como acontece do que no porque acontece (na causa).

Fluxo contínuo de conscientização.

ORAÇÃO DA GESTALT:

 

Eu sou eu, você é você.

Eu faço as minhas coisas e você faz as suas coisas.

Eu sou eu, você é você.

Não estou neste mundo para viver de acordo com as suas expectativas.

E nem você o está para viver de acordo com s minhas.

Eu sou eu, você é você.

Se por acaso nos encontrarmos, é lindo. Se não, não há o que fazer.

 

Fenomenologia (Husserl):

Fenômeno é aquilo que aparece. Só ultrapassa a consciência pela vivência do problema.

Eu sou um corpo. Sou um ser integral.

Holismo é a visão do todo.

Gestalt – Boa forma (Fechar Gestalt).

COMO? E NÃO PORQUE?

 

1ª Premissa – A organização de fatos, percepções, comportamentos, fenômenos é que dá significado ao fato e não os aspectos individuais  è GESTALT, que é uma forma, um configuração dos fatos individuais que entram na sua composição.

2ª Premissa: Homeostase (adaptação) – O organismo procura manter seu equilíbrio, satisfazendo suas necessidades. É um processo contínuo, porque as necessidades são muitas e constantes. Toda a vida é um jogo de equilíbrio e desequilíbrio. Quando não há homeostase, por muito tempo, aparece a doença. É um processo de autoregulação.

3ª Premissa:  A necessidade dominante é figura e as demais, fundo.

Fechar Gestalt é satisfazer sua necessidade “figura”.

4ª Premissa: O homem é um ser unificado: corpo e mente. Pensar (mente) e agir (corpo) são duas faces da mesma moeda.

 

MECANISMOS NEURÓTICOS:

 

Introjeção – Aceitamos ou rejeitamos o que o meio tem a nos oferecer. O que realmente assimilamos do meio, se torna nosso, para fazermos dele o que desejarmos.

O que trazemos inteiro, sem digerir, o que aceitamos indiscriminadamente, o que ingerimos e não digerimos, é um corpo estranho, um parasita, que se instala em nós. Não é parte de nós. É ainda parte do meio.

Introjeção  è é o  mecanismo neurótico pelo qual incorporamos em nós mesmos, normas, atitudes, modos de agir e pensar, que não são verdadeiramente nossos.

Devemos EQUILIBRAR nossas necessidades à necessidade do grupo.

Projeção – É o contrário da Introjeção. Assim, como a introjeção é a tendência a fazer o si mesmo responsável pelo que na realidade faz parte do meio, a projeção é a tendência a fazer o meio responsável pelo que se origina na própria pessoa.

Ex.: Paranóia com um alto grau de ilusão. Se sente perseguido quando na verdade quer perseguir outros.

Confluência – Ele, o indivíduo, e o meio são um. Ele está em confluência com este meio. Não há barreiras. As partes e o todo são indistinguíveis entre si. Ex.: Os recém nascidos. Meditação, êxtase nos adultos, etc.

Doença: quando essa identificação é crônica. Quando não vê a diferença entre si e o resto do mundo. Perdeu todo o sentido de si próprio.

RetroflexãoSignifica voltar-se rispidamente contra. Distingue claramente entre si mesmo e o meio. Mas o meio é ele próprio.

 

Introspectivo è Faz com os outros gostariam que ele fizesse (“eu” = “eles”).

Projetivo       è Faz aos outros o que os acusa de fazer a ele (“ele” ou “eles” = “eu”).

Confluente    è Não sabe quem está fazendo o que a quem [“nós” = (?)].

Retroflexor   è Faz consigo o que gostaria de fazer com os outros (“eu mesmo” – “Estou envergonhado de mim mesmo”. Fala dele, como se estivesse falando de outra pessoa.

Quando uma pessoa retroflexiona  um comportamento trata a si mesma como originalmente quis tratar as outras pessoas ou objetos. Para de dirigir suas energias para fora ...

Volta para si e se torna agente e paciente da ação. Torna-se seu pior inimigo.

PARA O NEURÓTICO, O “SI-MESMO” É UM ANJO OU UM DEMÔNIO, MAS NUNCA ELE MESMO. NUNCA É A PRÓPRIA PESSOA.

 

KURT GOLDSTEIN.

Ponto de vista Organísmico.

O organismo se compõe de membros diferenciados, mas articulados, que não se separam e nem se isolam um do outro, exceto em condições anormais ou artificiais, como por exemplo, sob forte ansiedade.

Organização inicial: FIGURA X FUNDO.

Figura é o que emerge... De um fundo. A figura é  limitada (tem contornos) o fundo é contínuo.

Ex.: Tenho fome... O que me ajuda a encontrar comida é figura... A lembrança de um local... Etc. Mas se uma pessoa faminta, se vê em perigo, a figura muda para resolver o problema.

 

Assim, novas figuras mudam à medida que surgem novas tarefas para o organismo.

Figuras: naturais e não naturais.

 

DINÂMICA DO ORGANISMO:

 

1.    Equalização – Conceito de energia constante.

2.    Auto-realização – Satisfação de uma necessidade.

3.    É o principio orgânico pelo qual o organismo se desenvolve plenamente.

4.    Ex.: Uma pessoa ignorante, que deseja saber, sente um vazio interior; sente-se incompleta. Mediante a cultura e o estudo seu desejo de saber pode ser satisfeito e então o vazio desaparece.

5.    Toda necessidade é como um estado deficitário que leva a pessoa a superá-lo. É como se fora um buraco a ser tapado. Esta satisfação da necessidade é o que significa a auto-realização.

 

CARL ROGERS.

 

“É óbvio que o potencial de uma águia será atualizado no vagar pelo céu, ao mergulhar para pegar pequenos animais para comer, e na construção dos ninhos.

É óbvio que o potencial de um elefante será atualizado através do tamanho, força e desajeitamento.

Nenhuma águia quer ser elefante e nenhum elefante quer ser águia. Eles se aceitam, aceitam o seu ser (themselves). Não, eles nem mesmo se aceitam, pois isso significaria uma possível rejeição. Eles se assumem por princípio. Não, não se assumem por princípio pois isto implicaria na possibilidade de ser diferente.  Eles apenas são o que são, o que são.

Quão absurdo seria se eles, como os humanos, tivessem fantasmas, insatisfações e decepções. Como seria absurdo se o elefante, cansado de andar na terra, quisesse voar, comer coelhos e botar ovos. E que a águia quisesse ter força e a pele grossa do elefante.

Que isto fique para o homem - tentar ser algo que não é - ter ideais que não são atingíveis - ter a praga do perfeccionismo, de forma a estar livre de críticas, e abrir a senda infinita da tortura mental”.  

 

Humanismo existencial.

Influência filosófica: o Existencialismo.

Principais conceitos:

1.    O Self e o Self Ideal.

2.    O Self é constituído das experiências passadas, presentes e das expectativas das experiências futuras.

3.    O Self Ideal é o self idealizado. Aquilo que não sou, mas gostaria de ser.

4.    Congruência – é quando existe uma coerência entre o que eu penso, sinto e sou.

5.    Incongruência é o contrário disso.

6.    Auto-Atualização é a tendência de todo ser em crescer, desenvolver e se tornar autônomo.

7.    Auto-Aceitação e Aceitação Incondicional do outro.

8.    Terapia centrada no cliente.

9.    Aula .... Centrada no aluno.

10. Má Fé ... Tornar o outro dependente de você para você se sentir importante.

11. Má Fé – fingir para você mesmo. Ter medo de se tornar independente e ficar sozinho no mundo. Tem medo de ser livre.

12. O ser humano é um nada. Temos medo de nos revelar esse nada.

13. Assumimos papéis ideais que não somos nós. Ex.:  história do Patinho Feio.

14. Tentar ser pato e não conseguir... Tentamos ser alguém que não somos.

15. Muitos vivemos em função de sermos um fato que não somos. De sermos um fato que nunca fomos.

16. Temos que descobrir o nosso self e não o Self Ideal que alguém nos impôs.

17. Nos deformamos para nos tornarmos em algo que não somos.

18. Ser nós mesmos é muito difícil.

19. Temos que descobrir o que está na pele. Aquilo que você é. Aquilo que dá tesão.

20. É difícil ser independente e autônomo. É difícil ser só. Devemos aprender a ser só.

21. Temos que nos auto-aceitar.

22. Porque não me aceito, não aceito o outro.

23. Se o outro me incomoda, é porque o outro tem algo que não aceito em mim.

 

MURRAY.  

ANDRAS ANGYAL.

ABRAHAM MASLOW.

WILHELM REICH.

A PSICOLOGIA EXISTENCIAL.

A PSICOLOGIA ORIENTAL.